Creio que essa afirmação me define muito bem. Para vocês notarem quão enorme é o fascínio que o Tempo exerce sobre mim, dei um jeito de inseri-lo até mesmo nas minhas próprias pesquisas musicais. Pretendo, aliás, torná-lo o centro delas daqui em diante.
Traçando um paralelo a partir do meu métier e minhas indagações a ele referentes, é curiosíssimo como nosso tempo psicológico tem um ritmo totalmente diferente do cronológico. Isso é bem sabido de um performer: quando tocamos, é muito comum não sentirmos o tempo cronológico passar, e nossa experiência de performance parece sempre de menor duração. Nosso tempo psicológico interfere, pois, na forma como apreendemos o tempo cronológico. Entretanto, não é raro o público apreender o mesmo fato de um modo completamente diverso.
Percebemos, portanto, como o nosso tempo psicológico particular difere daquele que possuem as pessoas ao nosso redor. Assim sendo, podemos concluir que existe uma infinidade de tempos, como se cada indivíduo estivesse, na verdade, num universo completamente estranho ao outro. Logicamente, há tempos particulares que concordam entre si, porém estes nunca serão idênticos. Eis uma das artes de viver: aprendermos a conviver com o tempo do outro, que obviamente nunca será o nosso.
E é exatamente a questão do tempo que me incomoda neste momento. E não se trata nem do tempo musical, tampouco do meu tempo...
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