quarta-feira, 4 de julho de 2007

Gris

Anestesiada.
O embate não é mais doloroso.
Uma dor que não mais se sente,
grito que se cala,
lágrimas que apenas ameaçam cair.
Tristeza em sombras, seu vulto somente.
A ânsia já está dormente.
O fogo espera em brasa; talvez se apague.

Os dias passam
longos quentes ensolarados
nebulosos tediosos calmos
inertes sombrios saudosos
silenciosos inquietos
e passando passam passam passam
como o tempo a escoar, esvaindo-se,
eternizando frações de momentos
que não deveriam ser lembrados.
Não deveriam ser sequer vividos.
Será?

As palavras se perdem e se tornam vazias
num tilintar taciturno.
Voam, mas não encontram pouso.
Pairam numa dimensão quimérica
e desenham piruetas de jaspe.
Aonde irão?
Todas agora parecem vazias.
As canções, outrora dotadas de significado,
hoje tinem como um sino.
Nada mais se mistura ao deserto particular,
à aridez peculiar.
A doce voz perdeu-se; talvez se cale.
O grito? Quer ser ouvido, mas emudeceu.

Restou apenas o silêncio,
que agora não é nem refúgio,
nem dor.